Para reflexão no ambiente escolar-lei 10639/03
Buscando a Superação das desigualdades com Novas práticas pedagógicas para sala de aula
Desafio à Educação no Brasil. Mudanças na escola, já!
Profª Ivete Oliveira da Silva
Caminhar para o reconhecimento das diferenças culturais na reconstrução da escola e das identidades que fazem parte dela, requer suprimir falas preconceituosas, estereótipos, deixar de aceitar como normalidade os apelidos, rejeições e brincadeiras maldosas na sala de aula. Se faz necessário e urgente, desfazer o ambiente de confronto de valores culturais, étnicos e sociais trabalhando numa perspectiva - histórico e crítica, respeitando particularidades culturais e sociais que fazem parte do ambiente escolar.
A construção da identidade da criança negra e o processo educativo
No Brasil, o racismo e suas derivações, como o preconceito e a discriminação racial, são historicamente produzidos e reproduzidos no âmbito simbólico-cultural e através das práticas sociais mais simples como as instituídas pela família e pela escola. E essas práticas sociais são fundamentadas numa ideologia de superioridade e dominação, que acontecem num processo de desfiguração da identidade social e cultural da população negra.
No processo educativo, a escola é o espaço privilegiado para o desenvolvimento afetivo e cognitivo de seu educando. O contato social que a criança estabelece na escola, amplia e intensifica sua interação com outras crianças, com jovens e adultos e “com outros objetos de conhecimento.” Essas experiências podem ser positivas ou negativas para o pleno desenvolvimento da criança, o que vai depender é a maneira como a escola trabalha os tópicos das relações sejam eles afetivo, social, racial, intelectual. Na organização escolar e nas relações sociais que se estabelecem no seu interior, de forma explícita e/ou implícita permeiam valores e crenças construídas no imaginário da sociedade, imaginário no qual o ideal de branqueamento e as experiências culturais de “branquitude” são símbolos de valor e de identidade social.
A criança negra e também a criança branca constrói seu auto-conceito através de sua inserção no mundo, a partir dos julgamentos e comparações aos quais são submetidas.
A criança negra toma contato com todo processo histórico de fabricação de uma subjetividade baseada no negro caricatural, com base nos estereótipos negativos construídos socialmente a longas décadas.
A escola é importantíssima na afirmação do racismo, é na escola que a criança tem um verdadeiro choque com a percepção do significado do ser negro. A diferença que antes era sentida como algo nebuloso, agora, torna-se clara, mas com toda a carga negativa do significado da diferença racial, do significado do “ser negro” nessa sociedade.
Os padrões estéticos estabelecidos e convencionados culturalmente são elementos definidores no processo de identificação, avaliação, aceitação. As relações de interação conflituosas, caracterizadas pelo preconceito, são vivenciadas pelas crianças negras na escola, que trazem sérios danos á sua estrutura psíquica, induzindo-as a experimentar sentimentos de baixa auto-estima, insegurança e desvalorização e, “consequentemente uma auto-rejeição.”
Referências bibliográficas:
Berger. P. L. Luckman. T. A construção da realidade, tratado de sociologia.
Cavaleiro. Eliane dos Santos. Do silêncio do lar ao silêncio escolar- racismo.
